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terça-feira, 4 de outubro de 2011

Trincheira, doce trincheira

Acorda e vai pra guerra todo dia
Não sabe o que te espera
Uniformizado e camuflado pra batalha
Aguarda paciente em agonia
O momento de avançar
Decidido a vencer mais essa luta
E retornar e repousar o corpo cansado
Em tua trincheira, tua doce trincheira
Bombas de medo explodem em tua cabeceira.

Se lembre das lições preciosas sobre coragem
A luta destemida que te serve de imagem
Se lembre do que aprendeu
Sobre o amor que sempre venceu
De que nem todas bombas explodem
e do teu olhar determinado de menino
Corajoso e dono do próprio destino
Consciente de encarar uma guerra a vida inteira
E estar de guarda esta noite na tua trincheira,
Tua doce trincheira.

terça-feira, 15 de março de 2011

A Barca

Era uma madrugada daquelas em que se deveria estar em casa dormindo. Caminhava lentamente, aborrecido com o término de um namoro.A noite quente se faria agradável , não fosse o rompimento.Eu vinha a pé, como sempre.Eram por volta de três e meia da manhã. O percurso incluía passar em frente ao Hospital Conceição, lugar que não me trazia boas lembranças, tendo em vista que já passara uma madrugada ali por conta de uma suspeita de apendicite que não se confirmou.Raríssimas pessoas circulavam pela área,funcionários durante uma pausa para fumar,taxistas e um ou outro paciente chegando.Eu vinha com a cabeça baixa,evitando contato visual com quem quer que fosse, sempre odiei ser visto entristecido,e a atmosfera hospitalar não contribuía muito com meu senso de humor.A certa altura,ao levantar o olhar examinando a rua para atravessá-la, ouvi um veículo,permaneci na calçada onde estava e observei uma lotação se aproximando.Ela já era uma velha conhecida, embora jamais tenha embarcado pois aquela simplesmente não era a minha rota.Em sua lateral pude ler: H. Conceição 666.



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Nunca fui cristão, muito menos supersticioso, o número da besta para mim sempre foi divertido pelo significado sinistro e seu potencial criativo, mas jamais levei coisas assim a sério.No entanto,gostava de pensar naquele carro específico como “A Barca dos Mortos” ,afinal, fora ela percorrer a linha de um hospital sinistro e carregar a numeração 666, todas as outras vezes que nossos caminhos se cruzaram foram durante as madrugadas.Segui caminhando enquanto “A Barca dos Mortos” se afastava pela rua escura.A área era cravejada funerárias e um grande terreno abandonado onde outrora funcionou uma fábrica de fogões, já em ruínas.A única fonte de luz passando o hospital vinha das vitrinas das funerárias, mas não se via viva alma lá dentro, apenas caixões em diversos modelos, coroas de flores e mesas nuas de qualquer adereço ou material de escritório.Pensei como deveria ser a rotina cruel daqueles funcionários, a espera de famílias devastadas pela dor para tentar vender o serviço funerário mais rentável.De modo algum esses pensamentos ajudavam a tornar minha noite menos deprimente, ao menos eu seria a última pessoa a correr riscos perambulando pela madrugada solitária.Meu aspecto não despertaria interesse de assaltantes e em geral eu era deixado em paz pela polícia também.Ao final da longa avenida do hospital,das funerárias e do terreno abandonado ficava a avenida principal que me traria até em casa.Aquela hora já não haviam ônibus e poucas lotações passavam, assim como não tinham muitas pessoas circulando naquela área,já bem melhor iluminada.Eu via eram fachadas comerciais fechadas,corredores de ônibus vazios e um ou outro posto de gasolina,com muito pouca gente.
Por alguns minutos caminhei sem a presença de mais ninguém pela rua, parecia uma cidade abandonada.Pouco depois comecei a me aproximar região dos inferninhos, casas de espetáculo destinadas a públicos humildes.Risadas anunciavam uma noite de diversão para eles, para mim pontuavam a solidão naquele momento.A medida em que me aproximava começaram a aparecer barraquinhas de cachorro quente e bebidas, alguns de seus freqüentadores me observavam, era visível que eu não fazia parte daquele grupo e não estava indo para o mesmo lugar que eles.Eu não me sentia incomodado com a curiosidade natural de gente diferente de mim e não me importava com seus olhares, para falar a verdade eu mal os notava naquele momento, já que caminhava de cabeça baixa.Talvez fosse justamente isso que despertava a atenção daquelas pessoas.As carrocinhas de “hot-dog” foram rareando,bem como os freqüentadores dos pagodes e os taxistas, que circundavam a área como abutres sobrevoando carniça.Por breves minutos voltei a ser um caminhante solitário,foi quando a uma quadra de distância percebi uma figura inteiramente vestida de branco que identifiquei como uma velha senhora.Mas o que diabos uma senhora de idade fazia na rua a uma hora daquelas?Seria a mãe de alguma garota dentro daqueles inferninhos?Ela sim era alvo fácil para assaltantes e corria risco. Porém, a medida que me aproximava e via melhor os detalhes, passava a fazer sentido que ninguém a molestasse,e foi quando cheguei a poucos metros que pude ter melhor noção.
Vestida dos pés a cabeça de branco, não era um branco limpo,uma velha blusa já puída e encardida,a saia de crente refletia a dureza que deveria ser a vida da pobre mulher.Sapatos em estado lastimável,a pele era muito pálida,um tanto amarelada e extremamente enrugada.O rosto era ainda mais enrugado e transmitia um semblante arruinado,emoldurado por cabelos longos e desgrenhados,seriam brancos se não tivessem um tom amarelado.A distancia dava aquela figura uma uniformidade alva fantasmagórica, mas a poucos metros os detalhes eram ainda piores.Evitando olhar nos olhos dela eu só a observei a distancia, pensando o quanto sinistra era aquela criatura da noite e como ela era assustadora.Ao chegar mais perto evitei confrontamento visual, ela não. Ela ao mesmo tempo transmitia fragilidade e pavor.Assim que cheguei suficientemente perto, ela me dirigiu a palavra, com uma voz tão aterradora e angustiante quanto sua aparência.
-Tu acha que ele volta???
Pensei, pronto, não me faltava mais nada!Pra completar essa beleza de noite agora tem até assombração!
Segurei o impulso de tocar na bizarra criatura a minha frente, não acredito em fantasmas ou almas penadas, mas se essas coisas existissem, certamente era assim que se pareciam.Tive medo de tocá-la pois assim estabeleceria contato físico e ela certamente me seguiria pois era uma pessoa carente de atenção,pensei na hora.Ou pior,talvez eu a tocasse e ela realmente não estivesse lá, ainda pior do que assombração, eu viria para casa tendo a certeza de que era esquizofrênico.Mas respondi a velhota com educação,como sempre faço quando se dirigem com educação a mim:
-Olha,eu não sei,nem sei quem é ele.Mas a senhora tem que ter fé, talvez um dia ele volte!
E segui caminhando, pensando o quanto era irônico um ateu empedernido falar de fé para uma velha desesperada no meio da madrugada. Dificilmente ela entenderia aquilo como esperança, provavelmente passaria a responsabilidade para alguma espécie de deus.Não olhei mais para trás,nem sequer para conferir se a mulher me seguia, tudo o que queria era chegar o quanto antes em casa e ainda tinha pelo menos mais vinte minutos de caminhada.Porém, uma noite dessas sempre reserva mais surpresas.Exatamente na esquina seguinte vi se aproximar um rapaz pouco mais novo que eu, negro, completamente chapado de sei lá o que.Não me senti intimidado pois alguém como ele nem teria coordenação motora para violência física.Foi quando ele também me dirigiu a palavra:
-Ó cara, tu sabe onde eu encontro tampa de spray ???
Mais uma vez pensei no circo em que aquela noite tinha se tornado, talvez ele tivesse deduzido que eu fosse grafiteiro ou algo assim,mesmo impaciente,tornei a ser educado e respondi:
-Bah mano,tampa de spray a essa hora? São quatro da manhã! Faz o seguinte, meu velho! Vai seguindo essa quadra, lá na outra esquina tem uma senhora todinha de branco, ELA deve saber onde tu encontra a tal tampa!
O rapaz balbuciou algo que não entendi,ou não me recordo,e eu segui adiante, em pouco tempo estaria em casa, mas a situação já era tão ridícula que eu consegui rir, especialmente quando imaginei o encontro das duas figuras na esquina seguinte.O resto do percurso foi sem incidentes e logo eu cheguei ao meu bairro. Subi a escadaria defronte ao meu prédio,abri o portão e em uns 5 passos já estava na portaria, abri a porta, passei pelo corredor e abri a porta de casa.Vim direto para o quarto e comecei a me despir, estava cansado e deprimido demais para tomar um banho. Fiquei de camiseta e cuecas e arrumei minha cama.Apaguei a luz.
Um minuto depois minha mãe entrou no meu quarto. Perguntou:
-Quem veio dormir contigo?
-Como é?
-Veio alguém contigo!
-Não veio mãe,acabei de tomar um fora!
-Mas eu te ouvi entrando na portaria e acordei,tava acordada quando tu passou pelo corredor de casa, logo atrás de ti vinha uma pessoa de preto que eu não identifiquei!
-Tu tava sonhando, mãe, to sozinho, cansado e triste.
Ela percebeu que era verdade e aceitou a resposta,foi para o quarto dela e eu apaguei a luz.

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

A part of me gets Sick, a part of me gets Sore

carolina diz:
pq tu é campeao mundial de amarelinha ?
Eau D´Putrefacción diz:
em campo minado?
carolina diz:
é
Eau D´Putrefacción diz:
pq eu ajo como uma criança num mundo perigoso
Eau D´Putrefacción diz:
procuro não perder a inocencia
Eau D´Putrefacción diz:
e permanecer tendo a capacidade de ver a beleza das coisas,ao invés de me tornar um neurótico com as dificuldades que a vida impoe as vezes
carolina diz:
humm...muito bem xD
Eau D´Putrefacción diz:
hehehe

...Chegamos ao último dia irmãos e irmãs, a história não acabou mas estamos passando para o próximo capítulo.Hoje é igual a ontem só se tu não fizer nada a respeito,ohhh que profundo...Este blog teve início quando me dei conta de que certas coisas que eu fazia eu deixava guardadinho no fundo de uma gaveta e pensei, porque guardar isso só pra mim?
100 posts depois aqui estamos nós,falei muito mais do que imaginava a respeito das minhas motivações pra produzir, permiti que lessem textos que acompanhavam cada peça como o diálogo da cena para a qual foram feitas e que eu mantinha idiotamente em segredo.Gente de todos os cantos do mundo esteve por aqui, Rússia,Ucrânia,Bielorrússia,Polônia,Noruega,Áustria,Bélgica,Suíça,Suécia,Finlândia,Holanda,Alemanha,Itália,Grécia,França,Inglaterra,Irlanda,Espanha,Portugal,Arábia Saudita,Índia,Irã,Paquistão,Malásia,Filipinas,Japão,Austrália,Nova Zelândia,Singapura,Havaí,Pearl City,África do Sul,Cabo Verde,todo o Brasil e Estados Unidos,Canadá,Uruguai,Argentina,Chile e México.
Adoraria ouvir a respeito de vocês, o que fazem, como vieram parar aqui.Muito obrigado meus amigos,espero que o próximo capítulo de cada um de vocês traga muitas alegrias,saúde,sabedoria e inspiração.
A dor passa,a cicatriz é para sempre.
Um ótimo 2011.

Leo




carolina say:
why u are worldwide hopscotch champion?
Eau D´Putrefacción say:
In minefields?
carolina say:
yup
Eau D´Putrefacción say:
Because I act as a child in a dangerous world
Eau D´Putrefacción say:
Trying not to lose the innocence
Eau D´Putrefacción say:
And to keep able to see the beauty of things,other than becoming nerotic with difficulties that life get us through sometimes
carolina say:
hmm...very well xD
Eau D´Putrefacción diz:
Hehehe

…here we are at the last day brothers and sisters, the story isn´t finished but were passing to the next chapter. Today is the same as yesterday only if you don´t do anything about it, ohhh, so deep….This blog started when I noticed that certain things I did I was keeping locked in the botton of a shelve and I thought, why to keep it for myself?
100 posts after here we are, I told way more than I expected about my motivations, permitted people to read texts that were made as dialogue to the scenes my pieces were made for and that I stupidly kept in secret. People from all around the world have been here:
Russia,Ukraine,Belarus,Poland,Norway,Austria,Belgium,Switzerland,Sweden,Finland,Netherland,Germany,Italy,Greece,France,England,Ireland,Spain,Portugual,Saudi Arabia,India,Iran,Paquistan,Malasya,Phillipines,Japa,Australia,New Zealand,Singapore,Hawaii,Pearl City,South Africa,Green Cape,all Brazil and United States,Canada,Uruguay,Argentina,Chile and Mexico.
Id love to hear from you all, what you do, how you ended up here.Many thanks,my friends,I hope the next chapter for each of you to bring a lot of happiness, health, wisdom and inspiration.
The pain will be past, scar will be forever.
Happy 2011.

Leo




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quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

O Batalhão

Quem além de ti saberia que nossa causa nunca foi competição?
Quem além de ti saberia que o ego nunca fez parte?
Quem além de ti seria criança o suficiente?
Ou ia acertar em cheio no que dizer?

Ninguém mais vai dizer tudo...sem dizer uma palavra.
Não sobrou ninguém tão puro,sem prioridades a frente da arte.
E não há quem vá ser tão inocente.
Nunca mais alguém sábio o bastante.

Mais nenhuma ligação
E minha mãe nunca mais vai ver alguém tão tatuado sem reprovação.
Ninguém nunca mais vai dizer meu nome do jeito certo.
Eu nunca mais vou te ter por perto.

A gente nunca vai ver o Slayer juntos.
Me diz com quem vou ter todos aqueles assuntos.
E quem vai debochar das minhas paixões?
E ter exatamente as mesmas opiniões...

A verdade é que eu queria acreditar,
Em qualquer porra que indicasse
Que a gente vai se reencontrar.
Mas não dá...

Que saudades meu irmão,
Tu não tinha nem noção.
Que não deixou chorando um soldado.
Deixou um batalhão.



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Em memória do meu amigo Cristiano Machado *18.03.1977 +22.12.2008

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Tentáculos

Sinto o enrolar de negros e viscosos tentáculos

Velhos temores vencidos, novos obstáculos.

Longa jornada rumo a um futuro turvo e incerto

Alcancei colinas,escalei montanhas,cruzei desertos.

Muitas auroras virão pintar de dourado as marés

Oceanos turbulentos,nem todo naufrágio é um revés

Lá no fundo cresce vida,em profundidades abissais

As mais ricas formas,vivas cores,recifes,corais.

Repousa o desconhecido,velho amigo e suas surpresas

Sempre colorindo a vida,esculpindo sutilezas.

Cores libertas da prisão de trevas,foi só a luz chegar

O mérito nunca foi dela, o q ela fez foi revelar.


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quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Cinco Olhos

Vejo cores q eles não vêem,
Em ti luz,q eles não tem.
60 vezes mais distante
Pra eles branco,pra mim cintilante.
Ah,minha flor
Eles não tem alcance.
Não percebem as nuances.
Os humanos grandalhões,possuem olhos de anão.
As abelhas pequeninas enchergam a imensidão.



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quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Molotov Zombies from Infernö Beach

Avante as massas
A marcha descompassada
Corpos sem vida
Pelotão de carcaças
Não mais
Há separações
Não mais
Times, tribos ou religiões.

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A turba ensandecida
Lado a lado, ombro a ombro
Segue adiante
Em meio aos escombros
Não mais
Estado ou nação
Não mais
O desejo de revolução.


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Lambem os céus
Grandes línguas de fumaça
Não há símbolo pátrio
Na bandeira da desgraça
Não mais
Elite ou ralé
Não mais
Esperança ou fé.


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terça-feira, 10 de agosto de 2010

Natimorto

Sufoca teu bebê,
Extrai dos pulmões todo o ar.
Poupe-o de crescer,
talvez chorar.
Leva a teu colo o natimorto salvo da vida,
escolhe teu caminho e anuncia tua partida.
Ignora o que pulsa em ti,
cesse o desenvolvimento.
Ha de evitar dias de sofrimento.
Imerge o corpo em águas poluídas,
em batismo.
Celebrando a queda da ponte sobre o abismo.
Cobre com mortalha o berço,
e amamenta flores secas.
Belos arranjos e uma bonita lápide em saudade.
Encontra teu alívio a solidão severa da cidade.
Quem sabe o que as primeiras palavras vão dizer?
Impeça as sílabas do que ainda está para acontecer.

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